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A CLÍNICA PSICANALÍTICA EM TEMPOS DE MERCADO: DESEJO, DINHEIRO E DISCURSO.

Por: Aislene Daniel Gomes Zaro, aislenezaro@gmail.com

Resumo: Este artigo examina os efeitos clínicos e discursivos da escuta psicanalítica intermediada por dispositivos de saúde suplementar, com foco na função do dinheiro na clínica. A partir da articulação entre o desejo do analista, dinheiro como cifra de gozo e discurso como estrutura do sujeito, analisa-se como a lógica neoliberal afeta a posição do analista, o manejo da transferência e o estatuto do sintoma. O discurso capitalista, ao promover gozo contínuo e soluções imediatas, compromete o dispositivo analítico ao neutralizar a castração e converte o tratamento em serviço. Defende-se que a clínica psicanalítica não se define pela separação dos sistemas de saúde, mas por sua capacidade de instaurar um laço simbólico que implique o sujeito em seu desejo. Sustentar a análise como ato e não como contrato, requer operar o corte, considerar o pagamento como função simbólica e resistir à lógica da equivalência.

Palavras-chave: desejo do analista; discurso capitalista; dinheiro; transferência; saúde suplementar.