PROJETO MSF: 'Por que tantas guerras?'

Fundamentos

O projeto ‘Por que tantas guerras’ parte do princípio que as guerras se escrevem e se realizam, hoje, no plural. Elas não são mais contadas como acontecimentos únicos, tal como a primeira e a segunda guerra mundial. 

Se expandiram pelos mais diferentes países onde o MSF mantém uma função decisiva de assistência e tratamentos, e para além deles. Presença que é marcada, também, pela perda da vida de seus agentes, assim como das populações.

Se há tantas guerras sem que precisemos contar seus números à princípio, é somente porque a destruição das vidas e dos patrimônios culturais, avançam sem mediação. Mesmo que venham a se instituir mais tarde, um conjunto de desastres são acumulados. Sejam eles relativos à perda de vidas, sejam os que se contam pelos corpos mutilados e abatidos mentalmente. 

Não há como lidar com os efeitos que as guerras produzem, sem insistir no trabalho a ser avançado, por aqueles que se ocupam delas. Na linha de frente, em nosso caso, consideramos, em primeiro lugar , o depoimento, pela experiência, daqueles que tratam dos efeitos mentais. Por isso mesmo, é importante escutar as realidades , tal como existem, assim como o que é recolhido.

O fato de privilegiar o compartilhamento das experiências em zonas de guerra com os responsáveis pelos tratamentos envolve, também, uma orientação deles. Para tanto, é preciso considerar que o objetivo do Projeto não se conclui nesse circuito. Mais do que isso, se trata de poder refletir sobre a causa de tais acontecimentos que se proliferam à nossa volta. O Projeto ‘Por que tantas guerras’ se estrutura de uma forma ternária.

 

PRIMEIRO PONTO: Realização de encontros anuais na sede do MSF, em Paris, incluindo a presença de estudiosos das guerras, para elaborar as causas e as abordagens possíveis delas. Esses encontros serão acompanhados pela intervenção, sob a forma de depoimentos, de representantes do MSF que se encontram em zonas de guerra. A proposta é que esses encontros sejam realizados e transmitidos nas sedes dos diferentes países onde o MSF tem representação

 

SEGUNDO PONTO: Convites a serem feitos a autoridades do campo educacional, cultural e político, de forma a divulgar, apoiar e promover a discussão do tema das guerras nas escolas, desde cedo. Sendo acompanhado pela seleção de livros infantis que a abordam , tal como já existem. Promovendo, ainda, a criação de peças teatrais, de música, de poesia e de dança, alinhados com a ideia de dar uma chance para a paz. Contando com os jovens que se encontram em zonas de guerra e tem o que expressar artisticamente, assim como os adultos que desejam dar voz a suas experiências. Com o objetivo de realizar um estímulo a tais iniciativas, seriam criados prêmios de distinção, a serem dados pelo MSF, no momento de realização dos encontros anuais do Projeto, com um dia dedicado a eles. Contando, para tanto, não somente com o apoio do MSF, mas também com os envolvidos que apoiam mudar essa realidade.

 

TERCEIRO PONTO: Implica na realização de cursos sobre os temas com os quais os agentes de saúde mental convivem , e demonstram ter interesse de obter mais esclarecimentos e avanços. Nessa ocasião, serão realizadas trocas de diferentes níveis para lidar com os impasses e as dificuldades que são encontradas.

 

Os três pontos de sustentação do Projeto ‘Por que tantas guerras’, visam abordar a complexidade, tanto quanto o tratamento das questões presentes no interior/exterior delas.

A constatação de que há, de saída, uma impossibilidade para alcançar soluções definitivas e, muitas vezes, passageiras, é o que se apresenta como causa para a insistência de sua realização.

 

O Projeto ‘Por que tantas guerras’, é coordenado por Mariana Duarte, responsável internacional pelo setor de saúde mental do MSF, e pelo psicanalista Mauro Mendes Dias, membro do Instituto Vox, de São Paulo, Brasil