Por: Maurício Lucchesi
Resumo: O advento da psicofarmacologia industrial, voltada para o consumo de massa, selou a ruptura do diálogo entre a psiquiatria e a psicanálise. De um lado, a abordagem totalizante das intervenções medicamentosas, em consonância com os
alicerces da ciência e do modelo econômico correlatos, limitou a compreensão dos efeitos da subjetividade no sofrimento psíquico. De outro, apesar da repercussão nos atendimentos, o embate furtivo no âmbito da clínica cerceou o avanço da teoria freudiana diante dessa mudança. Nesse contexto, o diagnóstico de depressão, com relevância cada vez mais expressiva, foi capturado pelo paradigma da psiquiatria biológica e prevaleceu por décadas – até seu esgotamento. Tal fracasso coincidiu com a alternativa do uso terapêutico de substância alucinógenas (psicodélicos), que resgatou tradições e maneiras diversas na abordagem do processo saúde-doença, valorizando escolhas e a responsabilização dos sujeitos. Sua premissa parte da atuação combinada com estratégias não químicas – como as psicoterapias – enquanto um tempo crucial na direção do tratamento, reabrindo a perspectiva de interlocução entre os saberes em jogo.
Palavras-chave: Depressão, psicanálise, psicodélicos, pesquisa qualitativa, estudo
de casos.